sábado, 14 de maio de 2011

Lirismo XVI, de O Jardineiro


As mãos segurando as mãos e os olhos mergulhando nos olhos… Assim começa a história dos nossos corações. É noite de março, noite de lua cheia, e no ar flutua o doce perfume da henna. Minha flauta está no chão, esquecida, e a tua grinalda de flores ficou sem terminar…
Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção.
Teu véu cor de açafrão embriaga os meus olhos, e a coroa de jasmins que teceste para mim enche-me o coração como um louvor. Brincamos de dar e de reter, de mostrar e de novo esconder. Alguns sorrisos ao lado de pequenos gestos de timidez, e algumas doces e inúteis brigas…
Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção.
Este amor não tem mistérios além do presente; não deseja alcançar o impossível, não tem sombras por trás do encanto, nem buscas na escuridão mais profunda…
Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção.
As palavras não nos extraviam, levando-nos ao silêncio eterno, nem levantamos nossas mãos ao vazio, buscando coisas além da esperança. Basta o que damos e recebemos… Nunca forçamos a alegria ao máximo, para dela espremer o vinho da dor…
Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção.

Robindronath Tagore

Tradução do original b e n g a l i para o inglês, feita pelo próprio autor
Tradução Ivo Sturuiolo

6 comentários:

  1. Perfeito este seu texto... quando há cumplicidade no relacionamento... subtende que a liga que uni os seres é e só pode ser o verdadeiro amor... meus parabéns por esta magnífica obra

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  2. Robindranath Tagore ... N conheço mas já gostei. Vou sim acompanhar o blog.

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  3. Com verdade é um belo texto. Adorei!

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  4. Danillo Mendes (SSDD), que legal saber do seu blog, estou mt curiosa para conhecer. Ah! Que bom que você gostou de ler Tagore. Então, continuemos...

    Helio, os textos tagoreanos são delicados e recheados de muito romantismo... Obrigada!

    Abraços Amigos

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  5. Felipe, eu realmente não sei o que anda acontecendo com o blogger, não sei se é vírus no meu computador, mas o seu comentário havia sumido e só agora voltou, não consigo entender!?...

    Enfim, excelente seu comentário, muito obrigada!... (Se tem alguém que passou por uma situação semelhante com o blogger, avaliza o que eu disse, por favor! ) Estou mais habituada com o wordpress, e têm outras coisas estranhas acontecendo com o blogspot (pelo menos aqui) /rs/ Desculpas!...

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  6. A simplicidade e beleza dos poemas de Tagore fazem falta nesse mundo afetado e artificial. Para mim, ler Tagore é parar para respirar, olhar, ver a si mesmo e ao outro, sinceramente, até me emociono com o texto final de O Jardineiro do Amor, em que Tagore se dirige a seus futuros leitores...

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